Se já está em SEO há tempo suficiente para se lembrar da época em que as meta keywords ainda contavam, provavelmente também se lembra do PageRank sculpting. Era o equivalente em SEO a descobrir um código secreto num videojogo — com a diferença de que o Google corrigiu isso mais depressa do que se consegue dizer “atributo nofollow”.
Mas aqui está a questão: a técnica morreu, mas o conceito subjacente nunca desapareceu realmente. O Google apenas nos obrigou a trabalhar mais para o aplicar.
Hoje, já não estamos a esculpir PageRank com truques de nofollow. Estamos a fazer algo mais inteligente, mais sustentável e, francamente, mais eficaz. Este guia vai mostrar-lhe o que o PageRank sculpting realmente era, porque deixou de funcionar e o que funciona de facto em 2025.
O Que É o PageRank? (A Base Que Precisa de Compreender)
Antes de falarmos em esculpir seja o que for, convém esclarecer o que é, afinal, o PageRank. Pense nele como o sistema original de votação do Google para a web.
Cada link é um voto. Mas nem todos os votos têm o mesmo peso. Um link do The New York Times vale muito mais do que um link do blog de culinária do seu primo. O PageRank é o algoritmo que calcula esse poder de voto e o distribui pela web.
A versão simples é esta: quando uma página cria um link para outra, transmite parte da sua autoridade (PageRank) a essa página. Quanto mais autoridade uma página tiver, mais consegue transmitir. É como um sistema de recomendações em que as opiniões de pessoas respeitadas contam mais.
Princípios-chave:
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O PageRank flui através dos links como água em tubos
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Cada página tem uma quantidade limitada para distribuir
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Quanto mais links existirem numa página, menos PageRank cada um recebe
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Links internos transmitem PageRank tal como os links externos
Este último ponto é crucial. Os seus links internos não servem apenas para navegação. Estão a distribuir activamente autoridade por todo o site, quer esteja atento a isso ou não.
O Que Era o PageRank Sculpting? (Os Anos Dourados)
Em meados dos anos 2000, os SEOs descobriram algo engenhoso. O Google tratava os links com nofollow de forma diferente dos links normais. Se adicionasse rel=”nofollow” a um link, o Google não o seguia nem transmitia PageRank através dele.
A conclusão lógica? Controlar para onde o PageRank fluía, aplicando nofollow aos links menos importantes.
A técnica original funcionava assim:
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Adicionar nofollow às páginas de política de privacidade, termos de serviço e login
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Adicionar nofollow a arquivos de categorias e páginas de tags
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Adicionar nofollow a tudo o que não gerasse dinheiro directamente
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Ver as páginas importantes absorverem todo esse link juice concentrado
Era belo na sua simplicidade. Para quê desperdiçar PageRank numa página “Sobre Nós” quando podia canalizá-lo todo para as páginas comerciais?
Os SEOs estavam essencialmente a actuar como polícias de trânsito da autoridade do site, a direcioná-la exactamente para onde queriam. Durante alguns anos gloriosos, funcionou.
Como o Google Acabou com o PageRank Sculpting (E Porquê)
Depois, em 2009, Matt Cutts, então responsável pelo webspam no Google, lançou uma bomba.
O Google mudou a forma como os links nofollow funcionavam. Em vez de preservar esse PageRank para os outros links da página, o link com nofollow continuava a “consumir” a sua quota. O PageRank simplesmente evaporava.
O que mudou? Imagine uma página com 10 pontos de PageRank e 10 links. Antes, se aplicasse nofollow a 5 links, os restantes 5 receberiam 2 pontos cada. Depois da mudança, esses 5 links com nofollow continuavam a consumir 1 ponto cada — que desaparecia. Os outros 5 continuavam a receber apenas 1 ponto cada.
Porque é que o Google fez isto?
Porque os SEOs estavam a manipular rankings de formas que não reflectiam a estrutura real do site nem o valor para o utilizador. O Google quer que os links representem recomendações genuínas, não esquemas calculados para enganar o algoritmo.
Além disso, sejamos honestos: estava a ser abusado. Os sites aplicavam nofollow a tudo excepto às páginas comerciais principais, criando distribuições de autoridade artificiais que não correspondiam ao comportamento dos utilizadores nem à qualidade do conteúdo.
A mensagem do Google foi clara: deixem de tentar enganar o sistema. Construam sites para pessoas, não para algoritmos.
Porque o PageRank Sculpting Tradicional Não Funciona Hoje
Vamos esclarecer isto de uma vez: se ainda está a tentar esculpir PageRank com atributos nofollow, está a perder tempo. Pior ainda, pode estar a prejudicar-se.
O Google actual é muito mais sofisticado do que a versão de 2009. O algoritmo considera centenas de factores para além da simples contagem de links. Sinais de engagement, qualidade do conteúdo, relevância semântica e utilidade real têm um peso enorme.
O que acontece se tentar aplicar o sculpting à moda antiga hoje:
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Cria um perfil de links interno artificial e manipulativo
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Pode esconder conteúdo valioso dos crawlers do Google
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Perde tempo com tácticas que não fazem diferença
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Ignora o que realmente funciona
O problema fundamental do PageRank sculpting sempre foi este: assumia que o algoritmo do Google era suficientemente ingénuo para ser enganado com manipulação simples de links. Nunca foi. O Google apenas fechou uma brecha óbvia.
Mas aqui está a verdade desconfortável que muitos SEOs não admitem: o conceito por trás do PageRank sculpting não estava errado. Distribuir a autoridade do site de forma estratégica continua a ser fundamental. Apenas precisamos de o fazer de outra forma.
O Que Funciona de Verdade: Estratégia Moderna de Links Internos
Aqui entramos na parte prática. Esqueça o “sculpting”. Pense em arquitectura.
A sua estratégia de links internos não serve para enganar o Google e fazê-lo pensar que certas páginas são mais importantes. Serve para mostrar ao Google — através de estrutura real e comportamento dos utilizadores — quais páginas são realmente mais importantes.
O princípio central: repetição é igual a importância.
Se não mostrar frequentemente ao Google quais são as suas páginas-chave, como espera que ele saiba? As páginas para as quais cria links com frequência, a partir de vários pontos e com relevância contextual, são as páginas que o Google entende como importantes.
Isto não é manipulação. É comunicação.
Criar Topic Clusters (Não Esquemas de Links)
Os topic clusters funcionam porque alinham com a forma como o Google entende relações entre conteúdos e como os utilizadores consomem informação.
A estrutura é simples: uma página pilar abrangente sobre um tema principal, rodeada por conteúdos de cluster sobre subtemas específicos. Todos os conteúdos ligam à página pilar, e a página pilar liga a todos os clusters.
Porque funciona:
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Cria padrões naturais de links internos
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Estabelece autoridade temática clara
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Corresponde à intenção do utilizador
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Distribui PageRank de forma lógica e não manipulativa
Por exemplo, se estiver a construir autoridade em estratégias de link building, a página pilar cobre os fundamentos. Os clusters aprofundam HARO link building, broken link building, guest posting e links contextuais. Cada cluster liga à página pilar, e esta liga a todos os clusters.
O Google vê um hub temático coerente. Os utilizadores recebem informação completa. A autoridade flui naturalmente.
Corrigir Links Internos Quebrados (O Fruto Mais Baixo)
Aqui o Screaming Frog torna-se o seu melhor aliado. Links internos quebrados estão a desperdiçar autoridade sem qualquer razão.
Cada página 404 que recebe links internos é um beco sem saída. O PageRank chega lá e pára. Não é redireccionado. Não é transmitido. É desperdiçado.
Faça esta auditoria hoje:
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Faça um crawl completo com o Screaming Frog
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Exporte todos os erros 404 com links internos
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Decida: redireccionar para conteúdo relevante ou remover o link
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Actualize a estrutura de links internos
Não é complicado. É apenas manutenção diligente. Mas o impacto pode ser enorme, sobretudo em sites antigos com anos de link rot acumulado.
Arquitectura Estratégica de Navegação
A navegação principal é território premium. Cada página no menu principal recebe links de todas as outras páginas do site. Isto é uma distribuição de autoridade poderosa.
Então porque é que tantos sites desperdiçam isto em páginas irrelevantes?
Pense estrategicamente no que deve estar na navegação principal:
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Páginas reais de serviços (não apenas “Serviços”)
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Conteúdo de alto valor que gera conversões
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Páginas que estabelecem autoridade no nicho
Não encha o menu com páginas de preenchimento. Se gere um marketplace de link building, isso deve estar em destaque. Se oferece serviços premium de link building como agência, torne-o óbvio.
A navegação diz ao Google e aos utilizadores o que considera importante. Actue em conformidade.
Content Pruning (A Necessidade Desconfortável)
Aqui é onde a coisa fica sensível. Às vezes, a melhor estratégia de links internos é ter menos páginas.
Nem todas as páginas merecem existir. Conteúdo fraco, informação desactualizada, tópicos duplicados, páginas sem tráfego há anos — nada disto ajuda. Pelo contrário, dilui a autoridade do site.
O processo de pruning:
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Identificar páginas de baixo valor (sem tráfego, rankings ou conversões)
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Decidir: melhorar, consolidar ou eliminar
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Redireccionar páginas eliminadas para conteúdo relevante
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Actualizar links internos
Isto concentra a autoridade nas páginas que realmente importam. Não se trata de ter mais páginas, mas sim as páginas certas.
Sim, isto pode significar apagar conteúdo em que trabalhou. Aceite. Um site é um organismo vivo, não um museu.
Engagement do Utilizador: A Peça Que Falta e a Maioria dos SEOs Ignora
Algo de que se fala pouco: PageRank e link equity importam, mas o engagement importa ainda mais.
O Google já não se limita a contar links. Observa o comportamento dos utilizadores. Páginas onde os utilizadores permanecem, interagem e regressam são reforçadas. Páginas de onde saem rapidamente são desvalorizadas.
Isto muda a forma como encara os links internos:
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Crie links para páginas que os utilizadores querem visitar
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Coloque links de forma contextual e lógica
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Não force links internos apenas para distribuir autoridade
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Crie conteúdo que valha a pena receber links desde o início
Links internos não são uma checklist técnica. Fazem parte da experiência do utilizador. Se parecerem forçados ou irrelevantes, os utilizadores ignoram-nos — e se os ignoram, não ajudam o SEO.
A melhor estratégia de links internos é criar conteúdo tão valioso que ligar a ele melhore naturalmente a experiência do utilizador. Tudo o resto são apenas optimizações marginais.
Como Implementar Isto na Prática (Plano de Acção)
Chega de teoria. Eis o que fazer a partir de amanhã.
Semana 1: Auditoria e correcções básicas
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Crawl completo com Screaming Frog
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Corrigir todos os links internos quebrados
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Identificar as 10 páginas mais importantes
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Verificar quantas vezes recebem links internos
Semana 2: Construir topic clusters
- Mapeie o seu conteúdo existente em clusters potenciais
- Identifique lacunas na cobertura dos seus clusters
- Crie páginas pilar para os seus temas principais
- Actualize os links internos para suportar a estrutura dos clusters
Semana 3: Optimizar a arquitectura do site
- Reveja a navegação principal — está optimizada?
- Audite os links do rodapé — fazem sentido?
- Verifique a sidebar, se existir — acrescenta valor?
- Remova ou consolide páginas desnecessárias
Semana 4: Criar um SOP de links internos
- Defina regras para a forma como irá criar links para páginas importantes
- Estabeleça um número mínimo de links internos para novos conteúdos
- Determine quando e como actualizar conteúdos antigos
- Integre os links internos no seu checklist de criação de conteúdo
Isto não é um projecto único. É manutenção contínua. Mas, ao contrário do PageRank sculpting, funciona — e continua a funcionar à medida que o algoritmo evolui.
A Verdade Desconfortável Sobre Link Equity
Vamos falar do elefante na sala: os links internos só o levam até certo ponto.
Se o seu site não tiver autoridade externa (backlinks provenientes de outros sites), nenhuma optimização de links internos o transformará numa potência de SEO. Os links internos distribuem a autoridade que já existe. Não criam autoridade do nada.
É aqui que o link building externo se torna inegociável. Backlinks de qualidade, provenientes de sites relevantes e autoritativos no seu nicho, continuam a ser a base do SEO. Os links internos optimizam o que já construiu; não substituem a construção inicial.
Se leva os rankings a sério, precisa de ambos. Precisa de links externos a trazer autoridade para o site e de uma estratégia sólida de links internos para distribuir essa autoridade onde realmente importa.
Na Search Royals, é precisamente isto que fazemos — ajudamos a adquirir os links externos de que o seu site precisa, enquanto se concentra em optimizar a estrutura interna. Porque tentar ranquear apenas com links internos é como tentar encher uma piscina com uma mangueira de jardim. Tecnicamente possível, mas dolorosamente lento.
Conclusão: A Técnica Morreu, o Conceito Continua Vivo
O PageRank sculpting, tal como era praticado originalmente, está morto. Está desde 2009. Quem lhe disser que pode chegar a melhores rankings apenas com nofollow está mal informado ou a tentar vender-lhe algo ultrapassado.
No entanto, o princípio base continua válido: a forma como estrutura os links internos importa — e muito. Está sempre a distribuir a autoridade do seu site, quer o faça de forma intencional ou acidental. Mais vale fazê-lo de forma estratégica.
A diferença entre 2009 e 2025? Já não tentamos enganar o Google. Construímos sites que destacam naturalmente o que é importante, através de topic clusters, arquitectura limpa e valor real para o utilizador.
Pare de esculpir. Comece a construir.
E se precisar de ajuda com a componente de link building externo que torna toda esta optimização interna realmente eficaz, é precisamente para isso que cá estamos. Porque a verdade é simples: nenhuma estratégia de links internos, por melhor que seja, o vai salvar se ninguém estiver a ligar para o seu site desde o início.